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“Filmar” com as Câmeras Digitais Reflex - DSLR?

Parece que num futuro próximo, as câmeras digitais reflex terão um “modo filmagem”, assim como suas irmãs menores - as digitais compactas.

Como é sabido, o sistema “Live Preview” dos novos modelos da Canon e Nikon levanta o espelho para que a imagem da objetiva incida diretamente sobre o sensor e a imagem seja vista no visor traseiro antes do click. Inspirando-se nisso, o inventor Hiroshi Teruda patenteou um sistema que soluciona um complexo problema do sistema de auto-foco. O “Live Preview” tem uma série de vantagens, mas uma das desvantagens é o foco automático. O atual sistema de foco das câmeras reflex usa o espelho para trabalhar.

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Parece que logo poderemos também “filmar” com nossas Reflex!

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Gerenciamento de cores

Entendendo o problema

No mundo dos computadores, textos, imagens, musicas, filmes, tudo é represen¬tado por cálculos complexos de uns e zeros.
A representação de um pixel, ou o menor elemento de uma imagem digital, é dada especificando-se 3 valores: a quantidade de vermelho (Red), verde (Green) e azul (Blue): o modelo de cor RGB. Com estes 3 componentes de cor é possivel formar qualquer cor. O preto é ausência das 3 cores e o branco é a presença das 3 cores.

Em uma imagem em formato JPG, onde a cor de cada pixel da imagem é representado por um número de 24 bits, correspondendo a 8 bits para cada componente RBG, temos 256 valores diferentes para o vermelho, para o verde e para o azul, variando de 0 a 255.

picture-2.png

As câmeras utilizando-se de filtros e registram a intensidade de cada um dos 3 componentes RGB. Os monitores de computador por sua vez para mostrar a imagem utiliza fósforos ou diodos emissor de luz das 3 cores e montam a imagem a partir dos componentes RGB.

O problema no gerenciamento de cores começa ai. Devido à contruções diferentes, cada dispositivo de captura, câmera ou scanner capta e representa uma mesma cor de uma mesma cena de maneira diferente. Assim como os dispositivos de saída (impressoras, monitores, etc) reproduzem cores diferentes para um mesmo valor RGB.

O primeiro objetivo do gerenciamento de cores é transformar valores incompa¬tíveis de RBG em um padrão que se possa associá-los a uma referência de cor como a percebida pelo homem, a aparência da cor. Para isso foram criados os perfis de cores, RGB (com variações como o sRBG ou AdobeRGB), CMYK, CIE Lab, entre outros.

O outro objetivo do gerenciamento de cores é garantir que as cores de uma imagem não se altere ao longo do processo desde captura na câmera, passando pelo monitor e a impressão ou a saída em papel fotográfico no laboratório.

Assim foi criado um sistema, conhecido como perfil de cor ICC (International Color Consortium), que diz como cada dispositivo interpreta a cor. Os perfis de cor permitem que programas como o Photoshop traduzam as cores que vemos na tela para as cores que serão impressas. Perfis de cores dos monitores dizem ao sistema operacional como mostrar as cores com mais precisão e perfis de cores de scanner e câmeras permitem que os passos seguintes do processo saibam como interpretar as cores da imagem original.

Espaço de cor

As câmeras fotográficas DSLR atuais são capazes de capturar cores em 2 espaços: o sRGB e o AdobeRGB, mais amplo, com maior saturação de cores.

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Um mesmo valor RGB, digamos 88/249/17, é interpretado de forma diferente nos diferentes espaços de cor. No AdobeRGB será um verde limão e no sRGB será um verde mais pálido.

88/249/17 em Adobe RGB picture-1-srgb.png O mesmo valor em sRGB

Os equipamentos dos laboratórios fotográficos tem perfis de cor baseados no espsço de cor sRGB. Isto significa que se enviarmos uma fotografia feita no espaço de cor AdobeRBG para ampliar ela sairá desaturada (lavada) e algumas cores, incluindo tons de pele serão alterados. É conveniente trabalhar com perfil de cores sRBG desde a captura, evitando surpresas.

Simplificando o Gerenciamento de cores

Para simplificar, é recomendado para o fotógrafo que visa ampliação em laboratório, trabalhar com espaço de cor sRBG durante todo o processo, pois o monitor e dispositivo de saída (laboratório fotográfico) trabalha com este espaço de cor.

Captura
Ajuste a câmera fotográfica para trabalhar no espaço de cor sRBG

Calibração do monitor
O tratamento das fotos será feito em nosso computador que deverá ter o monitor calibrado. Em termos práticos a calibração do monitor é o processo de fazê-lo simular com a maior fidelidade possível o resultado que teremos na ampliação fotográfica.

Uma ferramenta simples de calibração de monitor é o Adobe Gamma, que vem junto com o Photoshop e pode ser encontrado no Painel de Controle do Windows.

Uma forma simples de se fazer isto é ampliar no laboratório de sua confiança uma imagem de referência com bastante tons coloridos e tons de cinza, pedindo que não seja feita nenhum tipo de correção. Lembre-se de ajustar o perfil de cores como sendo sRGB (sRGB IEC61966.2-1) no Photoshop (Edit / Convert to profile / Destination Space: sRGB IEC61966.2-1). Se desejar use a imagem abaixo como referência:

http://www.andersonmiranda.com.br/workshop/PDI_Target_sRGB.jpg

Com a ampliação em mãos use o Adobe Gamma para calibrar seu monitor. É importante saber que a luz ambiente interfere no processo. O tipo de luz da sala, que ilumuna a foto de referência vai interfeir no resultado, portanto procura usar sempre a mesma fonte de luz para trabalhar.

O ideal é a calibração com instrumentos, como o colorímetro da Colorvision, com preços que variam entre US$80 e $280,00.

Referências:
http://www.adobe.com/digitalimag/pdfs/color_managed_raw_workflow.pdf
http://www.drycreekphoto.com/Learn/color_management.htm

RAW ou Jpeg?

Quando se deve fotografar em RAW ou JPEG? Qual a vantagem de se fotografar em um ou outro formato? Vamos entender melhor a diferença entre eles:

JPEG
• Imagem com formato universal que pode ser lido e visualizado por qualquer programa no mercado
• 8 bits por cor RGB = 24 bits por cor por elemento de imagem = 16.777.216 cores
• Arquivo compactado, como um arquivo ZIP, eliminando pequenas diferenças de tons de cores, conforme grau de compactação. Uma câmera de 8Mpixels gera arquivos entre 1 e 3 Mbytes
• tem menor latitude de tons (definicão entre os tons claros e os tons escuros)
• tem maior contraste
• tem “maior nitidez” (sharpen)
• pode ser utilizada imediatamente para impressão e publicação na internet
• pode ser manipulada, mas com perda de dados cada vez que é alterada, até mesmo quando é feita só a rotação, por exemplo
• processada pela câmera

RAW:
• Imagem que não se consegue visualizar em qualquer software, requer software específico
• Formato proprietário (com excessão do formato DNG da Adobe)
• 12 bits por cor RGB = 36 bits de cor por elemento de imagem = 68.719.476.736 cores
• Arquivo não compactado. Uma câmera DSLR de 8Mpixels produz um arquivo de aproximadamente 8 Mbytes
• dados completos do sensor da câmera
• imagem com maior latitude de tons
• imagem com menor contraste (aparência de lavada)
• imagem “não muito nítida” (sem sharpen)
• não é possivel ser utilizada para impressão direta da câmera
• arquivo só de leitura – alterações à imagem são salvos em um arquivo externo – XMP ou para um JPEG ou outro formato
• já é aceito em alguns casos em julgamentos como prova, pois não pode ser modificado
• processado pelo computador (que tem um poder de processamento muito maior que a câmera)

É melhor fotografar em RAW ou JPEG?

Deve ser considerado o tipo de trabalho a ser entregue. Imagens em RAW oferecem melhor qualidade para ampliações e uma margem muito maior para correções e tratamento, correção de white balance, etc.

Com JPEG se economiza cartão de memória, mas se perde muita informação da imagem que não consegue ser recuparada. Com o RAW, nós decidimos como a imagem deve ficar, no tratamento, e só depois a convertemos em JPEG, num processo não destrutivo, ou seja, conseguimos sempre partir de um original e criar variações.

Se num evento o cliente desejar, por exemplo, projeção das fotos da cerimônia durante a recepção, uma boa alternativa é fotografar em RAW+JPEG, e utilizar o JPEG para projeção e o RAW para tratar para o álbum.

Referência:
http://digital-photography-school.com/blog/raw-vs-jpeg/

Tecnologia: Sensores full-frame e fator de crop

Com a chegada de novos modelos de câmeras com sensor FULL-FRAME, resolvi escrever este pequeno POST sobre o assunto, já de conhecimento de muitos, mas outros tantos tem dúvidas.

Os sensores das câmeras digitais SLR (Single Lens Reflex, ou simplesmente Reflex) variam em tamanho, de acordo com o fabricante e modelo. O tamanho dos sensores implicam em uma série de características na fotografia digital.

Os modelos da Canon, 1Ds MarkII, 1Ds MarkIII e 5D, e a Nikon D3, possuem sensor tamanho full-Frame. O que isso significa? Full-frame, em inglês, significa quadro completo, ou cheio. Este nome foi dado porque o sensor tem o mesmo tamanho do fotograma do filme de 35mm (36×24mm). Antes do lançamento do sensor full-frame, os sensores tinham um tamanho menor e não conseguiam usar toda a imagem que a objetiva captava.

image_circle1.jpg

A imagem acima demonstra bem o que acontece com os sensores. O circulo cinza representa a projeção da imagem da objetiva sobre o plano do sensor. O quadro azul claro representa o sensor full-frame, e o quadro amarelo, o sensor APS-C (22×15mm, utilizado pela Canon 30D, por exemplo). Como se pode notar, o sensor APS-C registra uma porção central da imagem, perdendo informação que a objetiva capta. A esta perda, ou corte na imagem, damos o nome “crop”. A proporção entre os sensores full-frame e o menor denomina-se “Fator de crop”. No caso das Canons, este fator é 1.6x, das Nikons geralmente é 1.5x.

É importante frizar aqui que o fator de crop NÃO é um “multiplicador de distância focal” da objetiva. Pelo fato do sensor de captar apenas a parte central da imagem da objetiva, temos a sensação que estamos usando uma objetiva com uma distância focal maior. Em uma Canon 30D (com fator de crop 1.6x), por exemplo, uma objetiva de 50mm dá a impressão de ser 80mm - 50 x 1.6 = 80. Apenas a impressão, pois em termos práticos, significa que a câmera capta uma cena menor, apenas isto. Profundidade de campo, deformações (em caso de grande angulares) e outras características óticas, continua sendo as da objetiva usada.

Conseguimos o mesmo resultado fotografando com uma câmera full-frame (como uma Canon 5D) e uma objetiva 50mm, e no Photoshop fazemos um crop central, na proporção dos sensores. A imagem obtida será equivalente a uma feita pela 30D.

Enquanto o fator de crop pode ser uma vantagem quando se usa teleobjetivas (uma 300mm “equivale” a uma 480mm), torna-se uma desvantagem quando usamos objetivas grande angulares, pois a cena captada é menor. Em eventos sociais, pra fazer fotos de grupo, por exemplo, é necessário usar lentes 17mm em câmeras com crop e 28mm atende bem numa câmera full-frame. Em retratos, temos que tomar cuidado, pois quanto mais angular é a objetiva, maior o risco de deformar o assunto, quando se fotografa de perto.

Os sensores full-frame tem uma grande vantagem: com área maior de captação de imagem, se consegue mais nitidez e definição da imagem. Comparando o sensor full-frame com o APS-C, de mesma tecnologia, mesmo fabricante, de mesma resolução, por exemplo 8Mpixels, o tamanho de cada pixel no full-frame é maior, resultado em melhor qualidade na captura, inclusive menor ruido em ISOS mais altos.

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Não é por acaso que a imagem de uma câmera DSLR é melhor que a de uma câmera digital compacta de mesma resolução, pois tem o sensor maior. Tamanho do sensor também influencia nas distâncias focais das objetivas utilizadas. Em câmeras digitais compactas, com sensores bem pequenos, usam-se objetivas super grande angulares, como 5 ou 8mm. Como resultado, não se controla a profundidade de campo, sai tudo no foco, mesmo quando não se deseja. Além disso, é muito comum vermos retratos com rostos totalmente distorcidos em câmeras compactas.

A contrapartida dos sensores full-frame é o uso de objetivas de melhor qualidade. Captando toda a imagem que a objetiva projeta, começa-se a perceber distorções, aberrações cromáticas, falta de foco e vinhetas nas bordas da foto, principalmente usando o diafragma mais aberto, o que quase não se percebe nas câmeras com fator de crop.

A regra é esta: câmeras com melhores sensores requerem objetivas de mais qualidade, caso contrário estaremos disperdiçando o que a camera oferece de melhor.